Porque ela é mais do que uma Holly Golightly

Em uma época que o padrão de beleza feminina eram muitas curvas e olhos claros, ela ganhou destaque com seu corpo esguio, olhos e cabelos castanhos e uma graciosidade fora do comum. Ao longo da carreira, estrelou muitos filmes de sucesso e colecionou fãs entre anônimos e famosos, que ao trabalhar com ela se encantavam com seu charme, simpatia e simplicidade. Dedicou seus últimos anos de vida trabalhando incansavelmente como embaixatriz da Unicef, viajando pelo mundo e dando palestras.
Atualmente, é lembrada por seu talento, beleza única e por ser um ícone de elegância e estilo até hoje. Além de ser linda por fora, também foi um exemplo de humildade e gentileza.
Por essas e outras sou fã da Audrey Hepburn! Acho que pelo visual do blog, vocês leitores nem tinham notado, né? Haha!
Cinéfilos como são, possivelmente vocês já devem ter passado por alguma situação parecida com essa, que é corriqueira pra mim. É só eu comentar que a adoro que, em média, recebo dois tipos de reações diferentes. A primeira é dos que não a conhecem de nome, mas quando é citado “Bonequinha de Luxo” automaticamente ela é lembrada. A segunda é dos que abrem um sorriso e dizem “Ah, claro que conheço, é aquela de Bonequinha de Luxo, né?”.
Confesso, conheci Miss Hepburn com esse filme, assim como uns 99% dos seus fãs. A moçinha se tornou sinônimo de elegância com o Breakfast at Tiffany’s. E a fotografia é fantástica, nunca vi NY tão linda em um filme como nesse. Como não fixar os olhos nela, toda trabalhada no pretinho básico, exalando sofisticação numa das aberturas mais clássicas do cinema? Não tenho absolutamente nada contra o filminho (vide o header deste blog), ao contrário, tenho um enorme carinho por ele. Mas expandi meus horizontes, o que adoro fazer quando um assunto em específico ganha minha atenção. E foi assim com Audrey, então vamos ao que interessa. Listarei alguns dos meus filmes favoritos com ela que valem muito a pena serem assistidos, alguns muito bem conhecidos pelos amantes de filmes clássicos, outros nem tanto. Além de tomar café na Tiffany’s, a eleita mulher mais bonita do século XX também já foi princesa, filósofa, ladra, cega e bateu recorde em personagens que passam por transformações.

A Princesa e o Plebeu (Roman Holiday, 1952)
Direção de William Wyler
Roteiro de Dalton Trumbo, Ian McLellan Hunter
Personagem de Hepburn: Princesa Ann

Esse é quase tão popular quanto Bonequinha de Luxo, e para mim superior em alguns aspectos e mais agradável de se assistir. Primeiro grande filme com Hepburn, que deu a ela seu primeiro e único Oscar como Melhor Atriz (ao todo ela recebeu 6 indicações ao longo da carreira no cinema). Audrey interpreta uma princesa em viagem a Roma que resolve fugir e curtir um dia como uma pessoa normal, na compania de um jornalista interesseiro mas que não consigo odiar por que é interpretado pelo charmosíssimo Gregory Peck. Minha comédia romântica favorita.
“A” cena: Adoro os primeiros minutos da princesa Ann sozinha em Roma, se permitindo fazer várias coisas impulsivamente, como mudar radicalmente o visual e tomar sorvete admirando a vista.

Sabrina (1954)
Direção de Billy Wilder
Roteiro de Billy Wilder, Samuel A. Taylor, Ernest Lehman
Personagem de Hepburn: Sabrina

Dessa vez a “plebéia” é Audrey, que depois de uma bela transformação de visual e atitude, é disputada por 2 milionários. Início de sua parceria com Givenchy, usou três visuais do seu acervo da coleção anterior. Aí que você leitor se pergunta: “Por que raios ele não desenhou modelos exclusivos para Hepburn?”. Acontece que na época, Audrey ainda não tinha uma grande popularidade, pelo menos não para Givenchy. Quando lhe avisaram que Miss Hepburn estava a sua espera, o estilista se decepcionou quando viu quem era. Ele pensou que era Katherine Hepburn, estrela da época, e não uma atriz iniciante. Mas logo após isso nasceu uma longa amizade/parceria entre os dois que durou décadas.
Curiosidade: O filme “Sabrina” rendeu um remake de 1995 de mesmo nome, com Julia Ormond e Harrison Ford.
“A” cena: Sabrina cantando no carro. Sua única chance de ver Audrey Hepburn cantando “La Vie An Rose” para Humphrey Bogard.

Cinderela Em Paris (Funny Face, 1957)
Direção de Stanley Donen
Roteiro de Leonard Gershe
Personagem de Hepburn: Jo Stockton

Para o mundo fashion, “Cinderela Em Paris” talvez seja equivalente à “O Diabo Veste Prada” dos anos 50 em relação a referências ao mundo da moda.
Na minha humilde opinião, dessa lista foi o que soou mais ultrapassado com o passar do tempo. Nesse filme, a maioria das músicas soam como de um musical do século passado de fato, apesar de mesmo assim eu adorar a seqüência “Think Pink” da abertura! A protagonista, que mais uma vez interpreta um “patinho feio”(só aos olhos dos personagens, diga-se de passagem), passa de vendedora e aspirante a filósofa para uma supermodelo. Detalhe: seu primeiro trabalho, como sugere o título em português, é em Paris e é preciso que a convençam de aceitar. Ah que bom seria se o mundo real fosse como Hollywood nos anos dourados. xD
A fotografia é bem colorida, alegre, e alguns números são extremamente fofos. E impossível não comentar que o par romântico de Audrey é o mestre da dança Fred Astaire, que algumas vezes rouba a cena com estilo.
Curiosidade: Segundo Sean, filho de Audrey, ela sempre dizia que Funny Face foi o filme em que mais se divertiu durante as filmagens.
“A” cena: Primeiro beijo da Jo Stockton e seu número musical logo em seguida.

Infâmia (The Children’s Hour, 1961)
Direção de William Wyler
Roteiro de Lilian Hellman
Personagem de Hepburn: Karen Wright

Nessa lista também cabe filme polêmico. Se uma relação homossexual entre duas professoras poderia ser tabu para muitos hoje em dia, imagine em 1961? Mas não, Audrey não interpreta uma lésbica. Na verdade, como a tradução do título para o português já diz (erro magistral já que o spoiler já vem no título), trata-se de uma infâmia inventada por uma criança totalmente DO MAL. Ou pelo menos é o que os detalhes sutis ao longo do filme nos fazem acreditar, pois assim como em Bonequinha de Luxo que também trazia conteúdo “polêmico” no roteiro, tudo é tratado com muita delicadeza, elegância e requinte. A fotografia em preto e branco reforça a seriedade do tema, que deixa tudo mais pesado e dramático, além das ótimas atuações de Hepburn e Shirley McLayne.
“A” cena: A longa conversa entre as duas professoras, refletindo o impacto que a situação causou nelas.

My Fair Lady (1964)
Direção de George Cukor
Roteiro de George Bernard Shaw, Alen Lerner
Personagem de Hepburn: Eliza Dollitle

Mais um para a lista de filmes em que a personagem de Audrey se transforma(é de longe a transformação mais evidente). Conta a história do famoso professor de fonética Henry Higgins (Rex Harrisson) que aposta com um amigo que transformaria uma pobre e simples florista em uma dama em pouco tempo. Adaptação do cinema para um famoso espetáculo da Brodway com o mesmo nome, esse é um must-see para os apaixonados por musicais e fotografia cinematográfica. É simplesmente estonteante, em muitos momentos me senti olhando para um quadro renascentista em movimento. Visual meticulosamente bem feito. Mas felizmente não pára por aí. O roteiro divertido e envolvente e musiquinhas chicletes também fazem de My Fair Lady um clássico atemporal!
“A” cena: Pensei numas cinco, não consigo escolher só uma.

Como Roubar Um Milhão de Dólares (How To Steal a Million, 1966)
Direção de William Wyler
Roteiro de George Bradshaw, Harry Kurnitz
Personagem de Hepburn: Nicole Bonnet

Essa comédia romântica com toques de suspense é bem divertida, deixa um gostinho de quero mais depois. Nossa querida interpreta a filha de um rico falsificador de arte, que está prestes a ser desmascarado. Para salvar o pai, ela conta com a ajuda de um ladrão para retirar a escultura falsificada de Cellini de um museu antes que descubram ser falsa. Ambos tramam um plano para entrar no museu durante a noite sem que os percebam, o que é uma missão praticamente impossível. Ah, e eu falei de romance? É claro que ela e o ladrão se apaixonam durante a falcatrua toda. Mas o ponto forte do filme com certeza é o plano do roubo sendo executado, foi desenvolvido com muita inteligência e ficou muito envolvente.
“A”cena: Toda a sequência com Audrey e Peter O’Toole dentro do armário.

Um Clarão Nas Trevas (Wait Until Dark, 1967)
Direção de Terence Young
Roteiro de Frederick Knott, Robert Carrignton
Personagem de Hepburn: Suzy Hendrix

Sim, ela também fez suspense! E dos bons! Pena que é tão pouco conhecido pelo grande público. Audrey Hepburn é Susy Hendrix, uma cega que é incentivada pelo marido fotógrafo a ser o mais auto-suficiente possível. Ele a deixa sozinha em casa por alguns dias para viajar a trabalho, e durante sua ausência um trio de bandidos invadem sua casa procurando drogas que acreditam estar lá. A história deste filme se passa quase que totalmente dentro de uma pequena casa, com pouquíssimas cenas externas. Isso deixa o clima ainda mais tenso, até mesmo claustrofóbico, e foi muito bem escrito, com detalhes bem amarrados. Me lembrou bastante o Festim Diabólico (Rope, 1948), de Hitchcock. Aliás, todo o clima de suspense do filme lembra e muito as técnicas usadas com maestria pelo tio Hitch. Os criadores devem ter se inspirado nele.
Curiosidade: o vilão master do filminho é interpretado brilhantemente por Alan Arkin, que ainda trabalha como ator e a poucos anos atrás recebeu um Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por “Pequena Miss Sunshine” (Little Miss Sunshine, 2006).
“A” cena: O confronto final entre Suzy e o bandido, extremamente tenso.

Done. E quanto a vocês? Quais seus filmes favoritos com Miss Hepburn?

Dica: Se você não me abandonou no meio do texto, imagino que também adore Audrey, certo? Sendo assim, indico o ótimo post “The Audrey Hepburn Treasures” da Danielle Crepaldi, editora do blog O Filme Que Vi Ontem. Nele você vai conferir arquivos contidos no livro que dá nome ao post, como antigas cartas, parte de roteiros de seus filmes mais famosos, até mesmo um desenho feito pela própria Audrey, entre outros materiais retirados do acervo pessoal da atriz. Recomendadíssimo!

20 comentários:

Alan Raspante disse...

Ah, Ju, eu como bom fã, apenas tenho que parabeniza-la pelo excelente texto. Audrey pra mim é amelhor atriz do cinema americano. Com certeza, a minha favorita.

Já assisti 'A princesa e o plebeu', 'bonequinha de luxo', 'my fair lady', 'sabrina'. Mas o meu favorito de Hepburn é 'Charada', rs

[]s
ps: bacana indicar o excelente post da Dani, que é mesmo muito bacana!

gabriel disse...

Impossível não se interessar por Audrey Hepburn depois desse seu texto, hehe. Dela só vi Bonequinha de Luxo, e nem me lembro do filme. Mas vou rever. Fiquei interessado em Sabrina, quero ver Hepburn cantando La Vie En Rose, como você falou, deve ser "A" cena, rs.
Abraços.

renatocinema disse...

Agora seu site me conquistou de vez....Hepburn é a minha deusa no cinema.

Sobre True Blood sugiro o seguinte.......assista num dia que estiver bem tranquila, preparada e aberta para algo louco, insano e diferente.kkk

abs

Rafael W. disse...

Adorei essa matéria, Hepburn é fofa de doer *__*

E adorei o blog também! Parabéns!

http://cinelupinha.blogspot.com/

Jeniss Walker disse...

Grandiosa e belíssima atriz. Gosto muito dela em Um Clarão das Trevas, Uma Cruz a Beira do Abismo e Fair Lady. bj :)

Dilberto L. Rosa disse...

Apesar de nunca ter visto muita versatilidade nela como atriz, sempre apreciei vê-la na tela, ficando difícil decidir um favorito (gosto muito e tenho na coleção "My Fair Lady", "Bonequnha de Luxo", "Charada"...). Como personalidade, sem dúvida, marcou gerações com seu charme e sua humanidade!

Abração, quase-Audrey: aguardando sua visita nos Morcegos!

Danielle disse...

Oi Ju.

Que ótimo seu post! Bela apresentação de Audrey, escolha e resenha dos filmes. Parabéns!

Mas antes de tudo, quero agradecer pela indicação do meu blog. Também costumo me aprofundar no trabalho de artista que me cativam. Não raras vezes, encontramos pérolas esquecidas. No caso de Audrey, há os excelentes "Infâmia" e "umclarão nas trevas", além de "Uma cruz à beira do abismo", outro dos meus favoritos. Audrey atuava com uma simplicidade que pode até parecer resultado de quem conhece pouco o metier, mas sabemos que não é o caso. Ao contrário, é isso que faz o charme de seus filmes perdurar com o tempo.

Dos filmes mais conhecidos, "Princesa e o plebeu" tem um lugar especial na minha história de cinéfila. Vi esse filme tantas vezes desde pequena...

Bjinhos e até logo!
Dani

Alexandre disse...

A Audrey é o simbolo supremo da elegância e delicadeza femininas. Sorte a minha que tenho uma namorada que além de tudo tem esse mesmo jeitinho.

Dead Babies disse...

Com com certeza Audrey Hepburn, está na minha lista de atrizes prediletas perdendo apenas para minha Greta Garbo, minha eterna diva...
Adorei o Blog...

Juliana Chequin disse...

Oiii adorei o blog! Sou muito fã do estilo da Aundrey Hepburn e ela deixou um legado de filmes maravilhoso. Já assisti quase todos e não teve como não se apaixonar!

Anônimo disse...

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