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Sessão só pra nerds?


Eu não sou fã de games, de vez em quando jogo um Super Mario, mas só. Também não sou uma grande conhecedora de HQs, não tinha lido a versão de Scott Pilgrim em quadrinhos antes de ver o filme. Então achei exagero essa papo que ouvi por aí de que o filme só agrada quem é geek e conhecedor desse mundo que está... podemos dizer, na moda?
O mundo geek está ganhando cada vez mais força, isso é inegável. Recentemente esteve nos cinemas A Rede Social, um ótimo filme sobre um "nerd" que se tornou um dos jovens mais poderosos do mundo após criar o Facebook. Agora, fomos presenteados com Scott Pilgrim Contra o Mundo (Scott Pilgrim vs. The World, 2010), de Edgar Wright, que conta a história de um jovem que encontra a garota dos seus sonhos, mas para ficar com ela é preciso enfrentar e vencer seus "7 Ex-Namorados do Mal". A princípio, parece uma comédia-romântica adolescente com uma abordagem diferente, mas com as entradas dos citados ex-namorados percebemos o verdadeiro diferencial da obra. Um filme que infelizmente recebeu menos atenção da mídia nacional e menos divulgação que o outro citado, o que é uma pena porque apesar das várias referências a elementos não muito conhecidos pela maioria, acredito que a adaptação da história para os cinemas foi feita com muito cuidado para não comprometer o resultado final e é totalmente apta a agradar outros públicos.
Quem possui um vasto e detalhado conhecimento dos elementos citados durante a sessão teve uma experiência mais rica e emocionante, sem dúvida. Posso dizer isso porque assisti acompanhada de uma pessoa muito mais íntima do tema do que eu. Mas estou expondo aqui minhas impressões como cinéfila somente, e quem é cinéfilo não pôde deixar de notar as ousadas inovações na linguagem usada e na edição, preservando a essência dos quadrinhos nas atuações, nos cortes de câmera e nos efeitos visuais e sonoros empregados durante o filme do começo ao fim, não somente nas cenas de ação como é de costume.
Uma das edições mais criativas que já vi, com ares de anime, além de o tempo todo aproveitar situações do cotidiano para adicionar um efeito visual que remeta a videogames, criando a ilusão de que o filme é um game no estilo anos 90, ilusão que vai crescendo ao longo do filme, principalmente quando são iniciadas as "lutas", tudo isso acompanhados de uma ótima trilha sonora, em parte graças a "Sex Bob-Omb", banda onde Scott toca baixo. Para completar a experiência, digo a vocês que nenhum desses recursos meticulosamente colocados brilham de forma vazia, porque todos servem como um complemento pra uma história simples, porém bem amarrada e com um ritmo rápido, não deixando o espectador entediado em nenhum minuto, além de seu elemento fantasioso(por muitos classificado como "nonsense") que lhe dá personalidade e personagens carismáticos. Quanto a Michael Cera, que interpreta o protagonista... o cara dá conta do recado direitinho, mas preciso aproveitar o espaço para fazer uma observação: é só impressão minha ou vocês também já notaram que parece que ele interpreta sempre a mesma pessoa em todos os seus filmes? Mesmo jeito, mesma personalidade, mesmo tudo. Mas enfim, isso não tira o brilho do filme, já que ele tem o perfil do personagem. Pelo menos parece, vou ler a HQ para conferir. Mas não só por isso, mas também porque o filme me encantou mesmo. Envolvente, engraçado e muito original.

Trailer.
 
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